Por Romário Silva
O futebol pernambucano vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Em um cenário onde diversos estados do Nordeste passaram a tratar o esporte como política pública estratégica, Pernambuco segue mergulhado em um profundo descaso com seu principal patrimônio esportivo. Sob a gestão da governadora Raquel Lyra, faltam incentivos financeiros, patrocínios estaduais e ações concretas para fortalecer os clubes, especialmente os do interior.
Milhões em outros estados, nada em Pernambuco
O contraste com outros estados nordestinos é gritante. Em Alagoas, o governo estadual destinou R$ 2,5 milhões ao ASA de Arapiraca. No Ceará, clubes da região do Cariri receberam cerca de R$ 1,5 milhão. No Rio Grande do Norte, mais de R$ 3,3 milhões foram repassados aos clubes. Em Sergipe, o Governo do Estado investiu R$ 3 milhões via Banese, banco estatal que patrocina diretamente o futebol local. Já no Piauí, o apoio foi ainda mais expressivo: mais de R$ 6,8 milhões foram repassados aos clubes em 2025.
Os números não deixam dúvidas: investir no futebol é uma decisão política. Recursos existem, falta prioridade.
Sertão esquecido e clubes em dificuldades
Em Pernambuco, o resultado da omissão é alarmante. O Sertão pernambucano não possui atualmente nenhum representante na elite do Campeonato Pernambucano, um dado que escancara o abandono histórico da região.
Clubes tradicionais do interior vivem realidades preocupantes. O Salgueiro Atlético Clube, que já foi referência e orgulho do Sertão, hoje luta para voltar ao cenário estadual, tentando se reorganizar esportivamente. O Afogados da Ingazeira enfrenta uma situação mais grave, acumulando dívidas trabalhistas, reflexo da falta de apoio e de sustentabilidade financeira. Já o Serra Talhada, outro nome importante do futebol sertanejo, simplesmente desapareceu do mapa do futebol estadual.
Nem Caruaru escapa do descaso
A contradição da atual gestão fica ainda mais evidente quando se observa Caruaru, cidade da governadora Raquel Lyra. Um dos maiores polos do interior pernambucano, o município possui três clubes — Central, Porto e Caruaru City — todos disputando a segunda divisão do Estadual. Nem mesmo os times da cidade natal da governadora recebem o apoio necessário para brigar na elite do futebol pernambucano.
Futebol é investimento, não gasto
A ausência de uma política estruturada de incentivo ao futebol atinge toda a cadeia esportiva: atletas, comissões técnicas, funcionários, torcedores e a economia local. Projetos sociais são interrompidos, jovens perdem oportunidades e Pernambuco perde competitividade frente a estados que entenderam o valor social, econômico e cultural do esporte.
Enquanto Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Piauí, Bahia e Paraíba fortalecem seus clubes com milhões em investimentos, Pernambuco assiste passivamente ao enfraquecimento de sua tradição futebolística.
É urgente que o Governo do Estado reveja sua postura. Investir no futebol não é gasto: é desenvolvimento, inclusão social e valorização do interior. O Sertão pernambucano não pode continuar sendo esquecido, e clubes históricos não podem desaparecer pela simples ausência de vontade política.

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