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Raquel Lyra chama de "cortina de fumaça" críticas sobre uso de avião oficial após reportagem da Folha


A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), chamou de "cortina de fumaça" as críticas ao uso de aeronaves oficiais do Estado. A declaração foi dada nesta segunda-feira (15), quando Raquel foi questionada sobre o tema durante a entrega de 184 veículos do programa Move SUAS PE, no Palácio do Campo das Princesas, no Recife.

"Muita gente que sabe que estou fazendo do jeito certo, mas acaba criando algumas cortinas de fumaça para tentar atrapalhar e desviar daquilo que nós estamos fazendo e trabalhando", disse a governadora, que disputará a reeleição neste ano.

A declaração veio em resposta a reportagem da Folha de S.Paulo, que revelou que o avião King Air 260, de matrícula PS-GEP – adquirido em julho de 2025 por R$ 64,3 milhões com verba da Secretaria de Defesa Social e apresentado pelo governo como reforço ao atendimento aeromédico – também foi utilizado em viagens da governadora para agendas políticas e administrativas.

Raquel Lyra defendeu o uso das aeronaves como legítimo e dentro das normas. "Hoje nós temos três. Compramos avião, compramos helicóptero e eles servem ao governo de Pernambuco. E todo o uso dele é feito de maneira adequada, legítima, respeitando o nosso dinheiro. Como, aliás, é a minha conduta e a minha posição e postura sempre como governante, como servidora pública, que sempre escolhi ser", afirmou.

Segundo ela, as aeronaves atendem diferentes áreas da administração: "Os aviões servem sim para a parte administrativa e servem sim para a saúde e para a segurança pública do nosso estado."


O que a reportagem revelou

De acordo com a reportagem da Folha, o avião teve seu equipamento médico temporariamente removido ainda em dezembro de 2025, poucos dias após a entrega, para transportar Raquel a Brasília. Na ocasião, ela se reuniu com o presidente Lula (PT), teve agendas com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e encontrou prefeitos aliados.

Com a aeronave indisponível para uso médico, o governo precisou acionar uma empresa de táxi aéreo para atender uma remoção de paciente e uma captação de órgãos para transplante — ao custo total de aproximadamente R$ 100 mil.

Em maio deste ano, o histórico de voos voltou a coincidir com agendas da governadora no sertão pernambucano, em São Paulo e em Brasília, onde ela participou da Marcha dos Prefeitos e de um jantar com deputados do PSD e aliados.


A posição do governo

O Governo de Pernambuco afirmou que as aeronaves são usadas "somente em missões institucionais de interesse público" e que os equipamentos médicos são retirados temporariamente nos deslocamentos que não envolvem missões de saúde, sendo reinstalados ao término da operação.

A gestão disse ainda que os deslocamentos da governadora ocorrem "em sua maioria, por meio de voos comerciais" e que foram realizados 45 trechos em aeronaves oficiais desde o início do governo, seguindo a portaria 734/SDS, de 16 de maio de 2010.

Fonte: Jornal do Comércio 

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